Ditadura venezuelana proíbe cardeal de deixar o país

Religioso já havia acusado militares de atacarem outros membros da Igreja.
O regime chavista impediu o cardeal Baltazar Porras de viajar para a Espanha, onde cumpriria uma agenda religiosa até o dia 21 de dezembro. Segundo conta o religioso, ele foi barrado no controle de imigração do Aeroporto Internacional de Maiquetía. Um agente do regime disse que precisava ver os documentos antes de autorizar sua saída e reteve seu passaporte. O oficial falou que a documentação apresentava “problemas” e, por isso, o cardeal precisaria o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (Saime) em Caracas. Depois dessa interação, o funcionário do aeroporto começou a segui-lo por todas as instalações, até mesmo no banheiro: "Pedi que me devolvesse meu passaporte para ir buscar minha mala. Até para ir ao banheiro o funcionário me seguiu de perto, perguntando por que eu ia até aquele lugar!", contou o sacerdote. Após a situação, ele foi obrigado a assinar documentos nos quais assumia que descumpriu normas e não poderia deixar o país: "Ele (o agente de imigração) me disse: 'Você não pode viajar. Siga-me'. No andar superior, onde os passageiros chegam, me fizeram assinar alguns papéis afirmando que eu não podia viajar devido ao 'descumprimento das normas de viagem" Descubra como é a situação do povo venezuelano sob a ditadura chavista para além das narrativas com a série Infiltrados Venezuela. Clique aqui para garantir acesso a essa e todas as produções originais por apenas R$10. O cardeal já chegou a fazer acusações contra militares venezuelanos por ataques contra o arcebispo dom Jesús González de Zárate, presidente da Conferência Episcopal Venezuelana. A retenção do religioso aconteceu pouco após o Comitê do prêmio Nobel anunciar que a líder da oposição María Corina Machado não pôde receber o prêmio pessoalmente. Impedida de viajar pelo regime, ela mandou a filha comparecer à cerimônia de entrega e buscar o prêmio. Apesar da falta, o Comitê anunciou que ela viajará para Oslo, capital norueguesa. Ela fugiu da Venezuela em segredo usando um barco. O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.